Estação Imagem: todos os caminhos vão dar à fotografia

Coimbra recebeu mais uma edição do Prémio internacional de fotografia Estação Imagem, que se estreou a 17 de Abril e se prolonga até 30 de Maio. A decorrer em vários espaços da cidade, trata-se de um evento que reúne alguns dos mais conceituados fotógrafos e fotojornalistas mundiais para promover a fotografia documental.

Michael Nichols  exhibition produced with the support of canon et visa pour l'image

Um dos momentos mais altos do certame é a exposição Uma Vida Selvagem / A Wild Life, de Michael Nichols, uma referência da fotografia animal e natureza no seu estado mais selvagem. A exposição que agora se apresenta ao público é o resultado da sua última parceria com a National Geographic.

Um dos momentos mais altos do certame é a exposição Uma Vida Selvagem / A Wild Life, de Michael Nichols, uma referência da fotografia animal e natureza no seu estado mais selvagem. A exposição que agora se apresenta ao público é o resultado da sua última parceria com a National Geographic.
Um dos momentos mais altos do certame é a exposição Uma Vida Selvagem / A Wild Life, de Michael Nichols, uma referência da fotografia animal e natureza no seu estado mais selvagem. A exposição que agora se apresenta ao público é o resultado da sua última parceria com a National Geographic.

Na cerimónia de atribuição dos Prémios de 2018, que decorreu a 21 de Abril na antiga Igreja do Convento de São Francisco, foram contempladas várias categorias desde o fotojornalismo, ao retrato, do desporto às artes, à documentação de assuntos e temas sociais e políticos. E porque o fotojornalismo é escrever a História, os premiados não puderam excluir os fotógrafos que captaram a devastação que os incêndios causaram em Portugal. Os jurados foram Santiago Lyon, Presidente do júri e director de conteúdos da Adobe em fotojornalismo, Sara Naomi Lewkowicz, fotojornalista cujo trabalho incide sobre a violência doméstica e famílias LGBT, Tanya Habjouqa, fotógrafa documental especializada em temas sociais e de género no Médio Oriente, e Marco Longari, fotojornalista da AFP responsável pela fotografia para toda a África. Todas as fotografias vencedoras podem ser vistas (ou revistas) na Galeria Pedro Olayo (filho) de 2 de Junho a 10 de Julho.

 Marco Longari, Santiago Lyon, Tanya Habjouqa, José Ribeiro

Marco Longari, Santiago Lyon, Tanya Habjouqa, José Ribeiro

 Sara Naomi Lewkowicz, Marco Longari, Santiago Lyon, Tanya Habjouqa , José Ribeiro

Sara Naomi Lewkowicz, Marco Longari, Santiago Lyon, Tanya Habjouqa , José Ribeiro

O fotógrafo, e jurado, Marco Longari é o autor da exposição Até à Morte, patente até 27 de Maio na Galeria Pedro Olayo (filho) no Convento de São Francisco. O autor retrata alguns dos momentos mais duros e sanguinários da sociedade política em África, em que a incerteza de chegar ao dia de amanhã é a única constante. “A violência ofusca o discernimento”, afirma. Porém, as palavras de um manifestante resumem a energia que os sustém “até ao fim. Até à morte”.

Exposição de Marco Longari
Exposição de Marco Longari

Para além da atribuição dos Prémios, este evento promove também várias iniciativas de divulgação e aproximação à fotografia enquanto género documental e artístico: visionamento de documentários e slideshows de fotojornalismo, conferências e workshops. O fotógrafo José Pedro Ludovice Santa-Bárbara, por exemplo, orientou um workshop de retrato num projecto de integração e solidariedade social em que os sujeitos retratados foram idosos de lares da cidade de Coimbra.

Workshop de Retrato
Workshop com Santa Barbara

Dentro de todas as exposições que se podem visitar, destacam-se as Viúvas de Amy Toensing, que podem ser visitadas até 30 de Maio na Galeria Pinho Dinis - Casa Municipal da Cultura. Longe dos olhares da cultura ocidental, há sociedades em que a viuvez é a morte social das mulheres, porque o seu papel é definido pelo marido. Marginalizadas, despojadas da sua vida e família, estão condenadas à morte ou ao isolamento para o fim da vida. No entanto, as novas gerações estão a dar início a uma mudança profunda e, uma vez que os assuntos femininos estão em aberta discussão, esta é uma exposição de particular pertinência.

Exposição Amy Toensing
Exposição Amy Toensing
Exposição Amy Toensing

Na exposição Cristãos no Líbano, a violência deu origem a um retrato deste país que ainda não existia. Patrick Baz abandonou a carreira como fotógrafo de guerra e decidiu regressar ao Líbano, a sua terra natal, só para se encontrar novamente em zona de conflito: grupos islâmicos massacravam cristãos e outras minorias religiosas. E as vítimas olhavam para ele, talvez por ter sido fotógrafo de guerra, em busca da resposta à questão “Será que vamos ter de sair daqui?”. Se é verdade que situações de desespero revelam o pior da humanidade, também podem revelar esperança, devoção e fé que se traduziam em manifestações religiosas crescentes. E isso fez Baz perceber que “não havia um testemunho visual dos Cristãos no Líbano no Século XXI”. Esta exposição é esse testemunho, humano, sem julgamentos, de alguém que se reencontrou com o seu país.

exposição Cristãos no Líbano
exposição Cristãos no Líbano

A Estação Imagem é uma associação cultural sem fins lucrativos criada em 2007 que tem como finalidade estudar, debater e divulgar todos os aspectos da imagem, com particular incidência na fotografia, atribuindo duas bolsas anuais, editando livros, produzindo exposições e criando acervo. Esta é a única entidade em Portugal a organizar anualmente um prémio internacional de fotojornalismo, aberto a fotojornalistas portugueses, dos PALOP e da Galiza, assim como a estrangeiros aí residentes.

Foi um privilégio estar entre colegas e amigos, e contribuir para o sucesso de mais uma edição deste evento.